quinta-feira, 26 de março de 2020

200326 - Lei de Acesso à Informação

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SUSPENSA NORMA QUE RESTRINGE ACESSO A INFORMAÇÕES PÚBLICAS
Ministro Alexandre de Moraes ressaltou na decisão que a Constituição Federal consagra o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis à Administração Pública.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu medida liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6351 para suspender a eficácia do artigo 6º-B da Lei 13.979/2020, incluído pela Medida Provisória 928/2020, que limitou o acesso às informações prestadas por órgãos públicos durante a emergência de saúde pública decretada por causa da PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS (Covid-19). A concessão da cautelar deverá ser referendada pelo Plenário do STF.
O dispositivo determina atendimento prioritário às solicitações previstas na Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) relacionadas com as medidas de enfrentamento da pandemia e suspende os prazos de resposta a pedidos dirigidos a órgãos cujos servidores estejam em regime de quarentena, teletrabalho ou equivalentes e que dependam de agente público ou setor envolvido no combate à doença. Prevê também que não serão aceitos recursos contra negativa de resposta a pedido de informação.
O ministro Alexandre de Moraes, em uma análise preliminar, considerou presentes os requisitos para a concessão da medida cautelar (perigo de lesão irreparável e verossimilhança do direito), pois o artigo pretende transformar a exceção, que é o sigilo de informações, em regra, afastando a plena incidência dos princípios da publicidade e da transparência.
Segundo o relator, a CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 consagrou expressamente o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno acesso às informações a toda a sociedade.
Assim, de acordo com o ministro Alexandre de Moraes, o Estado é obrigado a fornecer as informações solicitadas, sob pena de responsabilização política, civil e criminal, salvo nas hipóteses constitucionais de sigilo. “A publicidade específica de determinada informação somente poderá ser excepcionada quando o interesse público assim determinar”, afirmou.
O relator ponderou que o dispositivo questionado não estabelece situações excepcionais e concretas impeditivas de acesso a informação. “Pelo contrário, transforma a regra constitucional de publicidade e transparência em exceção, invertendo a finalidade da proteção constitucional ao livre acesso de informações a toda sociedade”, reiterou.
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quarta-feira, 25 de março de 2020

200325 - Subprocuradores do MPF

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Subprocuradores do MPF apontam que Bolsonaro 'desautorizou' medidas contra Covid-19 e pedem que Aras reprove atitude
Coordenadores propõem ao procurador-geral da República, Augusto Aras, envio de recomendação ao presidente para que ele respeite normas da OMS

BRASÍLIA - Subprocuradores que representam os órgãos de coordenação da cúpula do Ministério Público Federal (MPF) apontaram que o presidente Jair Bolsonaro "desautorizou" as medidas de combate ao coronavírus, com risco de "desarticular os esforços" para conter o crescimento do contágio, e citaram que ele pode ter incorrido em "desvio de finalidade" em seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão na terça-feira.
As críticas constam em uma proposta enviada ao procurador-geral da República Augusto Aras para que seja emitida uma recomendação a Bolsonaro censurando sua conduta no combate ao coronavírus e exigindo respeito às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Caberá a Aras decidir se confeccionará o documento e o enviará a Bolsonaro. Até agora, o procurador-geral da República não se posicionou em relação ao pronunciamento de Bolsonaro na noite de terça-feira. Durante o discurso, o presidente pediu à população para sair das medidas de isolamento e quarentena em prol da recuperação da economia. O pronunciamento foi alvo de duras críticas de líderes políticos ontem e hoje.
A proposta enviada a Aras é assinada por coordenadores da 2ª Câmara (Criminal); 4ª Câmara (Ambiental); 6ª Câmara (Populações Indígenas); 7ª Câmara (Controle Externo da Atividade Policial) e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Todos são subprocuradores (último estágio da carreira), mas o envio de uma recomendação ao presidente só pode ser feito por Aras.
Procurado, o procurador-geral afirmou que recebeu o documento às 18h desta quarta-feira e ainda está analisando o material.
DESVIO DE FINALIDADE
O ofício registra o posicionamento de subprocuradores da cúpula do MPF em relação ao pronunciamento, com duras críticas a Bolsonaro.
"Na direção contrária das orientações de caráter sanitário, de âmbito interno e internacional, o sr. Presidente da República Federativa do Brasil, em pronunciamento veiculado na noite do dia 24.3.2020, em cadeia nacional, refutou a necessidade de isolamento social em face da pandemia, criticando o fechamento de escolas e do comércio, minimizando as consequências da enfermidade e, com isso, transmitindo à população brasileira sinais de desautorização das medidas sanitárias em curso, adotadas e estimuladas pelo próprio Poder Público Federal, com forte potencial de desarticular os esforços que vêm sendo empreendidos no sentido de conter a curva de contaminação comunitária", diz trecho do documento.
Os subprocuradores apontam ainda que "o serviço de cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão deve proporcionar correto esclarecimento da população em geral acerca de situações de emergência e de gravidade, trazendo orientações e informações precisas, bem como segurança social, sob pena de configurar, até mesmo, desvio de finalidade".
No final do ofício, eles propõem a Aras que emita uma recomendação para que Bolsonaro respeite as normas de combate ao coronavírus tanto nas ações de governo como nos seus pronunciamentos.
"As Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, por seus representantes abaixo assinados, vêm apresentar a Vossa Excelência proposta de recomendação ao governo federal, na pessoa do sr. Presidente da República Jair Bolsonaro, no sentido de que a implementação e a execução de ações de saúde, como também, a veiculação de pronunciamentos e informações correlatas, por toda e qualquer autoridade do Poder Executivo Federal, seja realizada de forma coerente e em sintonia com as orientações emanadas das autoridades sanitárias nacionais e da Organização Mundial de Saúde, bem como em consonância com o Plano Nacional de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus COVID-19, do Ministério da Saúde, devidamente compatíveis com o estado de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional – ESPII, declarado pela OMS", afirmam.
Assinam o ofício os subprocuradores Luiza Frischeisen, Domingos Sávio, Nívio de Freitas, Antonio Carlos Bigonha e Deborah Duprat.

200325 - Pronunciamento Bolsonaro







































Bolsonaro contrariou órgãos de saúde e distorceu cenário sobre coronavírus; veja discurso comentado
Em pronunciamento, presidente fez ironia com Drauzio Varella, criticou governadores e disse ter histórico de atleta

​​​Em pronunciamento na noite desta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou o fechamento de escolas e do comércio, contrariou orientações dos órgãos de saúde e atacou governadores.
Em sua fala, Bolsonaro questionou procedimentos que têm sido adotados por todo o mundo, como o fechamento de escolas, e minimizou riscos da doença, como ao sugerir que as medidas de controle se restrinjam apenas aos mais velhos, além de contrariar órgãos de saúde e distorcer o cenário da pandemia.
número de mortes por causa da Covid-19 subiu para 46 nesta terça-feira (24), segundo o Ministério da Saúde. É o maior salto em um único dia: 12. O primeiro óbito foi registrado no dia 17 deste mês. O país já soma, desde o início da crise do coronavírus, 2.201 confirmações da nova doença.
Em todo o mundo, até agora, são quase 110 mil casos e 19 mil mortes pelo novo coronavírus.
Leia a íntegra comentada do pronunciamento:
Desde quando resgatamos nossos irmãos em Wuhan, na China, em uma operação coordenada pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores, surgiu para nós um sinal amarelo.
Bolsonaro se refere à operação de retirada de brasileiros na China, com avião da FAB, executada pelo governo federal em fevereiro.
Começamos a nos preparar para enfrentar o coronavírus, pois sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele chegaria ao Brasil. Nosso ministro da Saúde reuniu-se com quase todos os secretários de Saúde dos estados para que o planejamento estratégico de enfrentamento ao vírus fosse construído e, desde então, o doutor Henrique Mandetta vem desempenhando um excelente trabalho de esclarecimento e preparação do SUS para atendimento de possíveis vítimas.
Mas o que tínhamos que conter naquele momento era o pânico, a histeria e ao mesmo tempo traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa.
O presidente volta a usar termos que já havia adotado em ocasiões anteriores para se referir à pandemia. Quando a doença ainda parecia restrita à China, o principal efeito do coronavírus pelo mundo era na economia, com quedas históricas das bolsas em fevereiro.
Assim fizemos, quase contra tudo e contra todos. Grande parte dos meios de comunicação foi na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália. Um país com grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso.
A explicação demográfica de Bolsonaro para a dimensão da tragédia na Itália já foi dada anteriormente, quando disse que o país europeu tinha população idosa como Copacabana, na zona sul do Rio. Segundo pesquisas, o clima mais quente do Brasil não é uma garantia de contenção do novo coronavírus.
Um cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país. Contudo, percebe-se que, de ontem para hoje parte da imprensa mudou seu editorial: pede calma e tranquilidade. Isso é muito bom, parabéns imprensa brasileira.
O presidente se refere a mensagem dos apresentadores do Jornal Nacional, da TV Globo, na abertura da edição de segunda-feira (23), pedindo serenidade à população durante a crise.
É essencial que o equilíbrio e a verdade prevaleçam entre nós. O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade.
Não houve nenhum órgão de governo federal ou local orientando a volta das atividades normais pelo país ou indicando que o risco de disseminação da doença tenha arrefecido. Em São Paulo, por exemplo, a ordem de fechamento de lanchonetes e restaurantes entrou em vigor justamente nesta terça-feira.
Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa.
A adoção de medidas de restrição segue padrão parecido pelos estados. Todos os governadores, por exemplo, decidiram suspender as aulas da rede estadual. Em praticamente todo o país, órgãos estaduais funcionam com restrições e atividades de lazer foram reduzidas.
O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs, com menos de 40 anos de idade. Noventa por cento de nós não teremos qualquer manifestação, caso se contamine.
Até esta terça, 156 nações haviam fechado todas as suas escolas, segundo levantamento da Unesco. Na manhã desta quarta (25), a Rússia foi mais um país a determinar o fechamento de instituições de ensino devido ao Covid-19.
O órgão da ONU estima que 1,4 bilhão de alunos foram afetados pelas ações de resposta ao vírus, o que equivale a 82,5% dos estudantes de todo o planeta — cerca de 4 em cada 5.
Além disso, a OMS tem dado declarações alertando para os riscos que os mais jovens também correm na pandemia. "Para os mais jovens: vocês não são invencíveis", disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. O Ministério da Saúde também tem orientado a população a evitar aglomerações.
Outro ponto. A verdade é que um passado de vida fisicamente ativa pode ajudar a ter uma velhice mais saudável, mas está longe de ser um escudo contra doenças. Além disso, é impossível prever como seria o quadro de uma infecção em qualquer pessoa, ainda mais uma nova, como a Covid-19.
“Ele tem um critério de risco, que é ter mais de 60 anos. Isso é inegável. Esse é um fator de risco independentemente do passado. O fator de risco é ter um passado grande”, diz Wladimir Queiroz, infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). Bolsonaro tem 65 anos.
Devemos sim é ter extrema preocupação em não transmitir o vírus para os outros, em especial aos nossos queridos pais e avós, respeitando as orientações do Ministério da Saúde. No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão.
A fala sobre o "conhecido médico" é uma ironia a Drauzio Varella, criticado anteriormente por Bolsonaro por causa de uma entrevista com uma presa transexual. O filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro, compartilhou um vídeo de janeiro com comentários do médico sobre a situação naquele momento, sem acrescentar nenhum contexto, levando seus seguidores a acreditar que as declarações eram atuais.
Enquanto estou falando, o mundo busca um tratamento para a doença. O FDA [órgão de controle de medicamentos] americano e o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, buscam a comprovação da eficácia da cloroquina no tratamento do Covid-19. Nosso governo tem recebido notícias positivas sobre este remédio fabricado no Brasil, largamente utilizado no combate à malária, lúpus e artrite.
O presidente já havia falado sobre a substância anteriormente, o que levou o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) a pedir que a população não usasse o medicamento como medida de prevenção. O ministro afirmou que não é possível saber se essa fórmula será decisiva ou não contra o coronavírus e que há efeitos colaterais.
Acredito em Deus, que capacitará cientistas e pesquisadores do Brasil e do mundo na cura dessa doença. Aproveito para render minha homenagem a todos os profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, técnicos e colaboradores que, na linha de frente nos recebem nos hospitais, nos tratam e nos confortam.
O presidente encerra o discurso sem falar de iniciativas de estímulo na economia contra as consequências da crise, embora seja pressionado a adotar mais medidas, principalmente na proteção social.
Sem pânico ou histeria, como venho falando desde o princípio, venceremos o vírus e nos orgulharemos de estar vivendo nesse novo Brasil, que tem tudo, sim, tudo para ser uma grande nação. Estamos juntos, cada vez mais unidos. Deus abençoe nossa pátria querida.
A fala do presidente sobre histeria ocorreu no mesmo dia em que os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, foram adiados em um ano por causa do coronavírus, em decisão que não tem precedentes na história esportiva nos últimos 70 anos.